Um em cada sete cristãos no mundo sofre perseguição, revela Relatório Portas Abertas

360 milhões de cristãos em todo o mundo são perseguidos por causa de sua fé, revela a World Watch List 2022, o relatório anual da organização Portas Abertas-Open Doors, publicado em 19 de janeiro. Muitos perseguidores vivem impunemente, diz o diretor Christian Nani

Francesca Sabatinelli – Cidade do Vaticano

Mais de 360 ​​milhões de cristãos em todo o mundo sofrem perseguição e discriminação por causa de sua fé; em cerca de cem países a perseguição aumentou em termos absolutos. Os cristãos mortos por motivos relacionados com a fé, entre 1° de outubro de 2020 e 30 de setembro de 2021, são mais de 5.800, cerca de 23% a mais do que o ano anterior. Assim a World Watch List 2022 – o relatório anual da organização Portas Abertas/Open Doors – conta a história da perseguição anticristã em 50 países ao redor do mundo.

O aumento da violência, discriminação e assédio

“Desde que realizamos este relatório, há cerca de 30 anos – explica Christian Nani, diretor de Portas Abertas Itália – este é o nível mais elevado em termos absolutos de perseguição. Um cristão em cada 7 no mundo é perseguido, na África um cristão em cada 5, na Ásia dois em cada 5. Estamos assistindo ao crescimento de um fenômeno que diz respeito à vida de comunidades e de indivíduos cristãos, sob vários pontos de vista”.

O aspecto essencial ressaltado por Nani é que, além de aumentar a violência, cresce a pressão, entendida como discriminação e assédio, principalmente por motivos específicos: “A falta de proteção endêmica por parte de governos que não querem ou não podem proteger os cristãos comunidades por vários motivos políticos ou religiosos, o que gera uma espécie de impunidade dos perseguidores que leva a novas perseguições. E depois, talvez, a evidente indiferença de boa parte dos atores políticos internacionais que não dão a devida atenção, na condução das relações diplomáticas, à violação de direitos fundamentais, como a liberdade religiosa dos cristãos no mundo”.

Afeganistão, país mais perigoso

O relatório deste ano vê uma mudança no topo da lista. Depois de liderar o elenco por cerca de 20 anos, a Coreia do Norte cai para o segundo lugar, superada pelo Afeganistão, país que se tornou o mais perigoso do mundo para a comunidade cristã após a ascensão do Talibã ao poder, evento que, continua Nani, “está se transformando em uma espécie de combustível para o jihadismo global”, o que gera muitas preocupações em contextos como o da África.

Neste continente, de fato, existe o maior número de mortos, com a Nigéria como “epicentro dos massacres”, com 4.650 vítimas. No ranking Portas Abertas, entre os 10 primeiros estão sete países africanos, onde os movimentos jihadistas estão se desenvolvendo cada vez mais.

“A vitória do Talibã – explica Nani – de alguma forma impulsionou e motivou os movimentos jihadistas que existem na África, como o al-Shabab na Somália, o Estado Islâmico na África Ocidental em todo o cinturão do Sahel ou o Boko Haram na Nigéria. É uma questão muito delicada, a África é instável deste ponto de vista e as comunidades cristãs estão sob um violento ataque”.

Particularmente notável continua a ser a Índia, à qual Portas Abertas já havia dedicado um relatório em julho passado, no qual foi destacada a ascensão da ideologia nacionalista hindu, que coloca em risco os direitos das minorias, especialmente os cristãos.

A Igreja em fuga

Outro fenômeno muito grave é o de uma Igreja que no relatório é definida como “refugiada”, ou seja, a de cristãos em fuga: centenas de milhares de pessoas que saem de seus países – sublinha ainda Portas Abertas – devido à agressão direta, como acontece na Nigéria ou no cinturão do Sahel; ou devido à instabilidade ou opressão por parte dos governos, como no Irã; ou como no caso de Mianmar, onde o exército atacou igrejas e prendeu líderes cristãos, também ali gerando refugiados que, muitas vezes – é a amarga consideração de Christian Nani – ou fogem para países que também estão na lista de perseguidores, ou “acabam em campos onde podem reviver as discriminações e as perseguições das quais, de fato, estão tentando escapar”.

Vatican News
Imagem capa: Pixabay

FacebookTwitterWhatsApp