“Onde está o teu irmão?”

Caríssimos: que Deus guarde os meus filhos e filhas paroquianos.

A sociedade contemporânea em sua geração ultramoderna na totalidade dos ambientes se impacta com toda a alta velocidade de processo transformador de mudança de época. A evolução de tantas coisas num processo científico conduz cada vez mais para o autodomínio do ser humano, mas, se não se centra no núcleo originário do ser, acaba, lamentavelmente em passos da contramão da vida, cai-se no indiferentismo que leva a humanidade a deteriorações e involuções que representam o desperdício de belas oportunidades num tempo próprio e múltiplo de possibilidades.
Em torno da história, em tempos de tanta tecnologia o homem aprisionou em si seus interesses e esqueceu de olhar o outro como irmão, e passou a enxergá-lo num mecanismo de disputa como rival. Consequentemente, pelas diferenças religiosas, políticas, sociais, raciais se cria, em nome de uma suposta verdade, guerras impiedosas na propagação de mentiras desqualificando outras pessoas, e gera assim, a violência como falta de respeito ao semelhante e ao meio ambiente, a insegurança no coração das pessoas, a idolatria do dinheiro numa economia que exclui, a desigualdade social impedindo que o mundo se torne mais justo, solidário e fraterno.

Os cristãos, em sua vocação, dentro da experiência dessa nova geração têm o desafio de não ter um coração mecânico que paralisa a vida e cria idolatrias com tons de perversidade podendo induzir as percepções equivocadas da realidade, e sobretudo, a um indiferentismo, mas necessariamente avançam no compasso do evangelho, que faz compreender a importância do outro, que por mais diferenças que possam existir, o outro não é inimigo e sim, também como eu, um ser necessitado da verdade e do amor.

Precisamos, pela razão de nossa fé cristã, não supervalorizar nossas diferenças, e sim perceber no olhar do outro que também espera o céu, a manifestação do cosmo, o próprio Deus, aquilo que nos une é maior e belo como humanos e nos faz responder quem realmente o outro é, a partir daquilo que somos.

Para isso, é preciso entrar numa conversão profunda, mudar nossos conceitos, quebrar paradigmas que desqualifica outras pessoas a ponto de diminuí-las. É preciso crescer enquanto cristãos na vida comunitária da experiência de ser amado e amar o outro porque fomos, em nossa miséria, amados por Ele. Nessa conversão, é preciso ser cristão autêntico que não vive o fantasma da mediocridade, do indiferentismo, mas supera a si próprio na experiência do altruísmo, supera a vida egoística e o medo de ir ao encontro do outro. É preciso ser cristão que comunga a Eucaristia e se sente desafiado a curar as feridas da alma humana daquele que Deus concebeu e não está ao meu lado porque se descuidou no caminho, ou eu mesmo me descuidei dele quando vi sua fragilidade e fui covarde sabendo que o erro dele era menor que o meu.

Numa sociedade que vive investindo em processos obsoletos, produtores de prejuízos e atrasos, ou seja, na contramão do evangelho, somos desafiados na fé, a não cultivar a indiferença, ao comodismo e à ignorância mas reconfigurar com lucidez as respostas dos problemas que ainda não temos solução, pois somos chamados pela capacidade de amar a descortinar, corajosamente, o que nos impede de viver um tempo novo e evoluir criando em cada comunidade o testemunho de quem experimenta a prática de reconhecer que o outro é meu irmão, por isso, ele é importante.

Humildemente reconheçamos que as necessidades de mudanças nos vários ambientes estruturais da sociedade e da Igreja perpassam uma conversão profunda e pessoal para que possamos entrar no trilho da paz de um compromisso fiel com a vida para o desenvolvimento integral do ser humano. Por isso é preciso interpelar o coração: quando comungo a Eucaristia, o que ela produz em mim? O que faço pelo irmão com essa Eucaristia que penetra minha alma? Quanto custa a vida do irmão? Ouso voltar a Eucaristia depois de descuidar do irmão com indiferença? Que em cada Eucaristia, fecundidade em nosso coração do que saboreamos na boca, ecoe como voz de Deus em nosso íntimo: “onde está o teu irmão?” e nos leve a uma fecunda experiência espiritual, que quebra todo e qualquer indiferentismo, produz a oportunidade para se renovar superando os próprios limites e as escolhas equivocadas.

Com todo afeto, abençoa-vos, vosso Padre,
Pe. Efferson Andrade

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