NATAL: DO PREPARO À REALIZAÇÃO DA FESTA

Caríssimos: que Jesus guarde os meus filhos e filhas paroquianos!

No horizonte da solene celebração do Natal surge a oportunidade da experiência magna do Advento em que cada cristão é chamado a se renovar e corrigir os estrabismos do olhar do coração, entrar no compasso do Evangelho e fixar sempre de novo em Cristo o olhar da fé que nos desafia a compreender que as mudanças e as conquistas de novas etapas são uma exigência da vida.

A humanidade precisa refletir, neste tempo da graça do preparo para as festas natalinas, todos os seus descompassos, seus retrocessos e prejuízos admitindo um dos maiores desafios existenciais: a conversão diária. Este é um caminho bem longo que requer a clarividência de reconhecer a necessidade de promover transformações interiores, enxergar um percurso diferente, capaz de dar rumo novo à vida, superar obstáculos sobretudo a tendência de resistir às mudanças nos processos existenciais, sociopolíticos e culturais justamente por apego aquele conforto conquistado.

Nosso preparo para o Natal deve nos interpelar quanto aquelas atitudes medíocres e emoldadas na mesquinhez que obscurece os anseios do Evangelho, cega a competência para perceber a hora de mudar, contamina a convivência cidadã e agravam-se o fenômeno das considerações aprisionadas no enrijecimento da falta de solidariedade e a visão distorcida da caridade quanto a perspectiva espiritual, e nos moldes da cidadania, relacionam-se com as incivilidades, desrespeito ao bem comum, à verdade e à justiça social.

Quando adentramos ao cerne do Natal deve revelar uma verdadeira mudança no coração humano que potencializa na prática existencial. A experiência de reconhecer e vivenciar a centralidade de Jesus Cristo – o Verbo encarnado, fecunda e aponta a indicativa mais perfeita da possibilidade de qualquer ser humano se transformar abrindo-se a inúmeras reformulações interiores para uma nova história que promove e respeita a dignidade humana. E, se mudar o ser humano, muda o mundo, a vida, a história.

A lógica do Natal desperta na consciência o dom do encontro com Jesus Cristo que vem até nós. Essa é a experiência do tempo de um advento de urgentes e inadiáveis mudanças em que cada pessoa como sujeito se sente capacitada para alcançar mais um passo do desenvolvimento e, ao observar atentamente o panorama mundial e sua complexidade, projeta um compromisso de ser mais humano, construtor da paz.

Deus se humanizou (Jo 1,14), exceto no pecado, para nos ensinar a nobreza da vida humana com dom primordial de suas mãos. Um mistério inesgotável de amor. O infinito do amor de Deus é manifestado no coração do mundo. “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1,18).

As festas natalinas com todo seu brilho de luz é a oportunidade ímpar de cada pessoa viver o ápice do cristianismo e ter o firme propósito de fazer o bem, e fazer bem o que se deve fazer para cultivar a compaixão, a solidariedade e a fraternidade sendo no mundo um oásis de misericórdia

Natal é a festa do encontro! É a festa dos amores onde o Filho de Deus, Verbo encarnado, o amado de toda a alma humana é o sentido único e insubstituível desta festa. Nada, ninguém e nenhum outro pode substituir aquele que é a razão da festa. Natal é a mais terna expressão da misericórdia de Deus porque é a oferta incondicional feita pelo Pai de seu Filho amado à humanidade. Na magnanimidade desta festa ele desfaz nossa mesquinhez e inflama o coração humano de um amor tão intenso que desfaz os descompassos, supera a rotina que promove esterilidade e os desencantos que deprimem e fazem tantos descerem nos escombros da vida.

Natal é tempo de, fecundando a fé, fixar os olhos n’Ele envolto em faixas naquela manjedoura para exaurir a força com Ele, por Ele e n’Ele de um efeito revolucionário em nós e na sociedade que promova a paz, a solidariedade e a justiça. Natal é tempo de encontrar na pessoa do Cristo o horizonte da vida, imbuir-se do dom da alegria de ser ungido como ele e decidir qualificar a vida com o compromisso pessoal, familiar, vivido no labor diário, na comunidade de fé e em todos os outros contextos possíveis.

Com todo o afeto, um Feliz e Santo Natal!

Abençoa-vos vosso padre, Pe. Efferson Andrade

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