Festas e Silêncio, na Descoberta do Amor

Caríssimos: que Deus guarde os meus filhos e filhas paroquianos

O mês junino é repleto das grandes festas cristãs e, em cada uma delas, o chamado a uma nova esperança que fecunda o nosso caminho a partir da essência do amor. É preciso deixar-se envolver nessa experiência para que com a força do amor nossa consciência seja formada no compromisso pela verdade, pela justiça e pela paz, pois “só o amor rejubila-se com a verdade, educa a inteligência e o coração humano para a justiça e a paz”.

Desde a festa da Ascensão do Senhor, no dia 02 de junho, até o martírio de São Pedro e São Paulo, dia 30, viveremos para o nosso processo de evangelização oportunidades ricas de um crescimento na fé, sobretudo se soubermos deixar afetar-nos profundamente na oração gestada no silêncio e na palavra.

A prática e o cultivo disciplinado da oração é um exercício basilar para uma sociedade embaraçada em tantas desfigurações e marcada por crises existenciais devido à ausência de luminosidade. A dimensão oracional como ciência, tem a estrutura fundamental, seus elementos constitutivos, suas formas, os modos e uma prática rica para fecundar a fé, conduzindo a pessoa na reconquista da inteireza do seu eu e a fecunda no mais belo sentido daquilo que a sustenta em sua história humana.

Por isso, no hoje de nosso tempo, tão assinalado pelo fugaz que prioriza respostas imediatas a milhares de informações, opções, solicitações e ofertas o silêncio oracional torna-se essencial para satisfazermos de forma ponderada a escolha do que é pertinente, útil, indispensável, justo e eterno.

Quando vivemos a falta do silêncio é sinal que estamos no exagero das palavras. Que existe dentro de nós a dificuldade da escuta, habitua-se a amargura do distanciamento e isolamento do eu e, como consequência, bane-se a Deus e principalmente o outro. Cai-se no autoritarismo, no enrijecimento da mediocridade, no vazio do eu existencial e a incapacidade de gerar relacionamento verdadeiro que produz sentido sustentador da vida.

A Igreja sempre revelou na misticidade das festas o silêncio como dom sagrado que possibilita entrar no mistério transcendental. A vida oracional na alegria das festas abre o núcleo secreto do eu com autenticidade própria de quem reconhece as debilidades com humildade, e busca mudanças sublimes superando o egocentrismo com uma profunda conversão pessoal e social. Esta experiência consente na descoberta do eu interior e passa a traçar caminhos responsoriais àquele que é a fonte de tudo.

Enfim, nos traços desse caminho, a festa com todo seu fascínio precisa ser oracional, fecundada na essência do amor. Pois só assim firmará os laços de uma vida comunitária, social e familiar justa e ainda comprometida com a ética sendo baseada em valores com força qualitativa que proporciona mais fraternidade e experiências de solidariedade em nossas comunidades.

Com todo afeto, abençoa-vos, vosso Padre,
Pe. Efferson Andrade