A Experiência da Palavra para Escutar as Palavras

Caríssimos: que Deus guarde os meus filhos e filhas paroquianos.

Nossa Paróquia experimentou no mês de junho e vai viver até outubro, a partir do testemunho do ser cristão, a alegria de cumprir o mandato do Senhor em ir ao encontro e revelar aos corações humanos a força da Palavra que se fez carne, se fez no silêncio da cruz o evangelho da vida e da misericórdia. Neste mês, de modo especial, viveremos a missão nos dias 06 e 07 de julho na Comunidade Jesus Misericordioso.

A missão, confiada a nós discípulos do Mestre, nos faz ter ouvidos apurados de quem aprendeu na escola de Maria um programa novo para a ação pastoral e evangelizadora. Um programa de quem tem um horizonte no caminho dos mesmos passos do Crucificado e Ressuscitado e almeja projetar isso em cada comunidade, cada família para que viva essa experiência de se qualificar como ganho novo, um sopro de vida, que possibilita sair da crise, devolver esperanças aos corações por ser uma sociedade fraterna e solidária.

Maria Santíssima, em sua ação discipular, após o Espírito do Altíssimo fecundar seu ventre, parte para a missão na casa de sua prima Isabel. Assim, todos nós batizados, filhos da Virgem Maria, somos convidados a entrar em sua escola e receber a força do Altíssimo e ter a coragem de partir para espalhar nos lares de nossa comunidade a alegria do Evangelho que se fez Palavra e se chama Jesus Cristo. Deste modo, o ser discípulo missionário exige compromisso com atos que não só fecundem mas gerem respostas suficientes para transfigurar a realidade das famílias, dos lares, das comunidades e da sociedade.

O silêncio que a Palavra de Deus provoca é capaz de ser onipotência que ecoa nos ouvidos dos discípulos como insistente convite para que se deixem moldar por ela e assumam no coração as ações próprias de quem não se conforma com as deformações moldadas e arbitrárias da sociedade pronunciadas pela fraqueza de suas palavras, sobretudo quando enjauladas porque são impostas pela rigidez provocada na inexistência do exercício da escuta que promove o esvaziamento de diálogo e de decisões na construção da sociedade. Os missionários quando exercem a missão na potência do Espírito são qualificados para o exercício de conhecer diferentes circunstâncias que trazem inúmeras consequências e incidências sobre os valores éticos, morais e sociais.

Na escola de Maria, o mestre Jesus Cristo derrama sobre seus discípulos missionários o dom da escuta para que sejam sábios profetas aonde chegarem e possam suportar, com os olhos fixos nele, os percalços e as adversidades das incompreensões, das portas fechadas, das perseguições e das mentiras de um coração ocluso para o anúncio do Evangelho. Essa escuta vivida na experiência com o Mestre proporciona a cada missionário condições de dar razão de sua fé, de ter a coragem de se fazer diferença numa sociedade que vive na contramão dos valores evangélicos.

O tomar consciência de ser batizado faz nascer na mente e no coração o compromisso com o ser profético chamado a proclamar a verdade e empenhar-se com a justiça na promoção do bem. O discípulo missionário configurado ao seu Mestre parte para escutar os clamores da sociedade, de modo peculiar, o mais pobre, o mais necessitado. Ele entra na dinâmica que os tempos hodiernos exigem com toda a sua diversidade e amplitude e, no processo dialogal, sentindo-se na humildade servidor da escuta, sem ferir a sua fé, apresenta atitudes nas relações equilibradas que superam equívocos irracionais e promove o bem no coração da sociedade perdida em sua sensibilidade.

No Evangelho, no silêncio oculto do ventre maternal de Maria, o Mestre se fez Palavra! No Evangelho, o Mestre feito Palavra forma discípulos ouvintes! No Evangelho, a Palavra chama a todos! No Evangelho, o Mestre Ressuscitado convoca você! No Evangelho o Mestre Ressuscitado feito Palavra envia você para ser missionário da escuta das palavras! Necessitamos de discípulos missionários que escutem as palavras dos que gemem, aquelas palavras dos que clamam por fome e sede de justiça em nossa sociedade porque foram feridos na alma e acabaram tendo os corações enrijecidos e as mentes dilaceradas por tantas barbáries impostas que desfiguraram a sua identidade humana por uma incapacidade humanística em priorizar as urgências dos mais pobres. Sejamos missionários que silencia para a experiência do Deus Palavra porque sabe que apraz-lhe ocultar-se, e na dinâmica da escuta se solidariza, se compadece e recolhe as palavras que brotam no íntimo da dor do povo.

Com todo afeto, abençoa-vos, vosso Padre,
Pe. Efferson Andrade

FacebookTwitterWhatsApp